segunda-feira, 02/11/2026

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Santa Catarina tem apenas 14 abrigos para mulheres em situação de violência, dificultando o acolhimento na região.

O terceiro episódio da série “Até Quando?” traz à tona a crucial função dos abrigos na luta contra o feminicídio em Santa Catarina. Atualmente, o estado conta com apenas um abrigo estadual e 14…

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O terceiro episódio da série “Até Quando?” traz à tona a crucial função dos abrigos na luta contra o feminicídio em Santa Catarina. Atualmente, o estado conta com apenas um abrigo estadual e 14 estruturas municipais ou conveniadas, que oferecem apoio a mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos. Com apenas 340 vagas disponíveis, a situação se revela alarmante, especialmente quando analisada pela Defensoria Pública, que aponta a insuficiência desses espaços para atender à crescente demanda.

A defensora pública Anne Theive Auras ressalta que muitas mulheres que buscam proteção acabam sendo remetidas a outras formas de acolhimento, como auxílio-aluguel ou estadias temporárias, mas esses recursos não oferecem o suporte integral que um abrigo proporciona. “Não se trata apenas de abrigo, mas de um verdadeiro acompanhamento na reconstrução de suas vidas”, explica Auras, enfatizando a importância de um suporte que vai além de um teto temporário.

Laura, que está em um abrigo no Vale do Itajaí, é um exemplo de como esses espaços podem ajudar na recuperação. Desde que chegou, ela conseguiu voltar a trabalhar enquanto seus filhos frequentam a escola. “Estou sonhando com um futuro diferente, longe da violência. Não quero mais viver isso, nem eu, nem meus filhos”, conta, cheia de esperança.

Além de moradia e alimentação, os abrigos também promovem a reintegração social, oferecendo apoio na busca por emprego e na adaptação das crianças à nova rotina. Sabrina, outra mulher acolhida, expressa sua gratidão pela proteção recebida. “Aqui, me sinto acolhida e segura. É um alívio saber que existem pessoas dispostas a ajudar”, diz.

Apesar da importância dos abrigos, a distribuição deles em Santa Catarina é desigual. Enquanto as regiões Norte e Litoral Norte concentram mais estruturas, outras áreas, como o Oeste e o Sul, têm apenas uma unidade. Essa disparidade dificulta o acesso das mulheres que precisam de apoio em momentos críticos. A Polícia Militar, em casos de emergência, pode encaminhar as vítimas para essas unidades, que funcionam em condições de segurança rigorosas.

Blumenau foi pioneira na criação de abrigos em Santa Catarina, com um serviço funcionando desde 2001. A chefe de Proteção Social do abrigo de Blumenau, Juliane Flaviana Habitzreuter, destaca a importância desse suporte, especialmente em situações de risco extremo. Entretanto, a manutenção dos abrigos enfrenta desafios financeiros, principalmente em municípios menores.

A defensora Auras sugere a formação de consórcios regionais para compartilhar os custos entre os municípios, proposta que poderia facilitar a manutenção de abrigos adequados. Para aumentar a oferta de acolhimento, o governo estadual lançou um edital este ano visando a contratação de mais 60 vagas em abrigos administrados por Organizações da Sociedade Civil, buscando suprir a demanda nas regiões que mais necessitam.

A luta contra a violência de gênero em Santa Catarina é um desafio constante, e a criação de redes de apoio, como os abrigos, é fundamental para oferecer às mulheres a chance de recomeçar suas vidas longe da violência. A Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família tem buscado parcerias e recursos para fortalecer essa rede, mas ainda há um longo caminho a percorrer até que todas as mulheres tenham acesso ao suporte que merecem.