sexta-feira, 23/10/2026

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Ilha do Campeche implementa projeto pioneiro para manejo reprodutivo de quatis

A Ilha do Campeche, um dos cartões-postais de Florianópolis, está passando por um momento inédito em sua história natural. Entre os dias 26 e 28 de setembro, a ilha recebeu a primeira fase de…

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A Ilha do Campeche, um dos cartões-postais de Florianópolis, está passando por um momento inédito em sua história natural. Entre os dias 26 e 28 de setembro, a ilha recebeu a primeira fase de um projeto inovador focado no manejo reprodutivo de quatis (Nasua nasua). A ação, que visa entender melhor a população desses animais e desenvolver estratégias para sua conservação, é uma iniciativa da Associação Couto Magalhães de Preservação da Ilha do Campeche (Acompeche), com a colaboração da Prefeitura de Florianópolis, por meio da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), além de outras oito instituições parceiras.

Durante este período, quatro quatis machos foram submetidos a um procedimento de vasectomia, permitindo que fossem devolvidos ao seu habitat natural sem riscos à saúde. A escolha do número de quatis a serem operados foi feita com base em critérios técnicos, garantindo que o projeto possa ser avaliado de forma precisa. Com a ajuda de armadilhas fotográficas, a equipe teve a oportunidade de monitorar a presença desses animais em diferentes locais da ilha antes da realização do manejo.

A origem dos quatis na Ilha do Campeche é uma questão interessante. Esses animais não são nativos da região; sua introdução ocorreu por ação humana na década de 1950. A capacidade de adaptação dos quatis os ajudou a se estabelecer no local, mas há preocupações sobre como sua presença pode impactar a fauna e a flora locais. A interação com visitantes também é motivo de alerta, já que alimentar os quatis pode alterar seus comportamentos naturais e aumentar os riscos de acidentes.

O trabalho realizado pela equipe técnica não se limitou apenas à cirurgia. Todos os quatis foram cuidadosamente monitorados e recebidos com identificação por microchip, facilitando o acompanhamento durante as próximas etapas do projeto. A veterinária responsável, Laura Tonon, enfatizou que o foco foi minimizar o estresse dos animais e garantir seu bem-estar ao longo de todo o processo.

A primeira fase do projeto é apenas o começo. O manejo foi estruturado como um projeto piloto, e os dados coletados serão fundamentais para futuras decisões sobre o manejo da população de quatis na ilha. A bióloga da Floram, Priscilla Tamioso, ressaltou que, ainda há muitas perguntas sobre quantos quatis habitam a Ilha do Campeche e quais são os impactos de sua presença. A expectativa é que, a partir de 2027, novas etapas possam ser implementadas, baseadas nos resultados obtidos.

Esse esforço conjunto, que começou a ser planejado em 2025, é composto por diversas instituições, incluindo universidades e órgãos ambientais, refletindo a importância da conservação da biodiversidade local. O projeto representa um passo significativo para a gestão sustentável da Ilha do Campeche, e a comunidade local está convidada a acompanhar essa jornada de preservação e descoberta.