Um caso chocante de tráfico de pessoas veio à tona no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde um casal foi condenado a mais de seis anos de prisão por tentar adotar ilegalmente um bebê. A sentença, divulgada pelo Ministério Público na última sexta-feira (16), expõe a exploração da vulnerabilidade de uma mãe por parte dos réus, que buscaram contornar os trâmites legais de adoção.
A investigação revelou que a criança, com apenas sete a oito meses na época, foi encontrada na casa do casal durante uma ação policial. O ambiente estava sem qualquer documentação do bebê, e os agentes ainda apreenderam uma quantidade significativa de equipamentos eletrônicos, como dez celulares e quatro computadores.
A mãe da criança relatou como conheceu a mulher ré, em um abrigo onde uma de suas filhas estava acolhida. Inicialmente, a ré se apresentou como alguém disposta a ajudar, oferecendo cuidados à bebê em fins de semana. Contudo, a situação se complicou quando ela fez uma proposta de adoção, que foi recusada pela mãe, gerando desconforto e desconfiança.
Durante o processo judicial, ficou claro que a intenção da condenada ia além de uma simples oferta de ajuda. Investigadores apontaram que a ré tentava estabelecer um vínculo com o bebê, desviando-se do caminho legal de adoção, o que levantou sérias questões sobre suas verdadeiras intenções.
Um dos pontos mais alarmantes do caso foi a proposta de uma gestação remunerada. A mãe revelou que a ré ofereceu arcar com suas despesas mensais e um pagamento de R$ 30 mil ao final da gravidez, caso ela aceitasse gerar uma criança para o casal. O método sugerido para a inseminação seria feito de maneira caseira, sem qualquer supervisão médica, o que levantou ainda mais preocupações entre as autoridades.
Além dessas acusações, assistentes sociais indicaram que havia planos para que a mãe e outra filha, também acolhida, atuassem como “barrigas de aluguel” para os réus. Após o julgamento dos recursos da defesa, o Tribunal de Justiça manteve a condenação, estipulando penas de 6 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão para cada um dos réus, além de sanções financeiras. O Ministério Público também destacou que os condenados enfrentam outros processos em andamento.


