Um episódio de violência envolvendo um adolescente de 14 anos e um policial militar em Porto União, no Norte de Santa Catarina, gerou indignação e preocupação na comunidade local. O caso, que ocorreu na noite de segunda-feira (19), foi registrado em vídeo e mostra o jovem sendo agredido com tapas e empurrões durante uma abordagem. O episódio levanta questões sobre o uso da força por parte das autoridades e a segurança dos jovens na região.
De acordo com a Polícia Militar, os agentes estavam em patrulha quando abordaram o adolescente, que estava em atitude suspeita. A corporação alegou que o jovem teria fornecido um nome falso, mas o pai dele contou uma versão diferente. Segundo o homem, o filho estava apenas a caminho de casa para encontrá-lo e ficou nervoso durante a abordagem, o que o levou a errar o nome da mãe ao ser questionado.
Após a agressão, o garoto voltou para casa assustado e com dores na cabeça. O pai, que preferiu não se identificar por questões de segurança, desabafou: “Ele nos disse que os policiais chegaram do nada e já foram acusando ele de várias coisas. Nós somos uma família de trabalhadores, nunca passamos por isso.”
A Polícia Militar reconheceu a gravidade da situação e identificou o policial envolvido, embora tenha optado por não divulgar seu nome. A corporação afirmou que medidas administrativas serão tomadas e que o caso será encaminhado à Corregedoria, sem esclarecer se o policial foi afastado de suas funções. Em nota, a PM destacou que suas ações devem seguir os princípios da legalidade e do respeito aos direitos fundamentais, prometendo uma apuração rigorosa das condutas dos agentes.
O vídeo da abordagem mostra o momento em que o jovem, visivelmente assustado, é questionado pelo policial sobre o motivo de ter passado um nome falso. Ele menciona seu medo, enquanto pessoas que estavam com ele tentam explicar que estavam apenas brincando na rua momentos antes.
Até o fechamento desta reportagem, o g1 tentou contato com a Polícia Civil, mas não obteve retorno. O Ministério Público de Santa Catarina também se manifestou, informando que está apurando os fatos de forma sigilosa, dada a idade do envolvido.
Esse incidente se torna ainda mais alarmante em um contexto onde o primeiro ano da PM de SC sem câmeras corporais registrou um aumento no número de mortes cometidas por policiais desde 2019, o que levanta questionamentos sobre a transparência e a responsabilidade nas ações policiais na região.


