Nos próximos meses, os consumidores da Região Sul do Brasil podem se surpreender com a possível queda no preço do frango. Essa expectativa surge após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, Santa Catarina, conforme análise do banco Itaú BBA divulgada nesta sexta-feira (23). O impacto deverá ser mais sentido no atacado, especialmente no primeiro trimestre de 2027, quando o consumo tende a diminuir.
De acordo com a prévia da inflação de outubro, o preço do frango em pedaços registrou um aumento de 0,71% no último mês, mas, em um panorama de 12 meses, a queda acumulada é de 4%, conforme dados do IBGE. A doença de Newcastle, que atinge aves, levou à suspensão das exportações de frango de Santa Catarina para países como China, Arábia Saudita, Chile e México. Essa situação gera um cenário onde os frigoríficos catarinenses poderão direcionar parte de sua produção, que seria exportada, para o mercado interno.
Santa Catarina é particularmente dependente do comércio exterior, exportando cerca de 63% de seu frango produzido, enquanto a média nacional é de 37%. Com menos mercados disponíveis, a tendência é que a oferta aumente na Região Sul, o que pode forçar as empresas a reduzir os preços para escoar o excedente. Além disso, frigoríficos podem enfrentar desafios como acúmulo de estoques e aumento de custos com logística.
O aumento na produção de frango também contribui para o cenário de preços. Dados mostram que, de janeiro a setembro, houve um aumento de 3,7% no abate de aves e um crescimento de 6,2% na produção de carne. Apesar disso, até o momento, os preços se mantiveram firmes devido à alta demanda, impulsionada pela preferência dos consumidores pelo frango em relação à carne bovina.
Contudo, a situação pode mudar após as festas de fim de ano. Com as exportações restritas e a redução do consumo habitual após as celebrações, é possível que os preços do frango, especialmente no atacado, sofram uma queda. Entretanto, essa diminuição não garante que os supermercados repassem os descontos ao consumidor final, visto que os preços no varejo também incluem custos adicionais. O Itaú BBA observa que o impacto final nos preços dependerá de quanto tempo levará para os mercados internacionais voltarem a comprar o frango brasileiro.
O caso atual pode se posicionar entre situações anteriores de surtos de doenças avícolas, onde o impacto nas exportações e nos preços variou. Fica a expectativa para ver como esse cenário se desenrolará e qual será o reflexo nas prateleiras dos supermercados da região.
Crédito da imagem: Imagem de frango.


