Uma denúncia de assédio eleitoral levanta preocupações no ambiente de trabalho de uma empresa têxtil em Blumenau, no Vale do Itajaí, Santa Catarina. A Tex Cotton foi acusada de convocar seus funcionários a se vestirem com roupas nas cores verde e amarela, em um evento programado para esta quinta-feira (22), o que gerou controvérsias sobre a real intenção da ação.
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e Região (Sintrafite) foi quem fez a denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo o sindicato, a escolha das cores e da data da ação estava diretamente ligada à campanha eleitoral do candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL). O MPT imediatamente enviou uma recomendação à Tex Cotton, orientando a empresa a interromper qualquer iniciativa que pudesse ser considerada uma manifestação política no ambiente de trabalho.
A Tex Cotton, por sua vez, alegou que a ação tinha um caráter “exclusivamente cívico”, com a intenção de promover a identidade nacional. Em sua comunicação interna, a empresa afirmou que a participação dos colaboradores seria voluntária e não haveria qualquer tipo de coerção. No entanto, relatos de funcionários indicam que alguns se sentiram intimidados e temerosos de possíveis retaliações por não aderirem à proposta.
A procuradora do Trabalho, Bruna Bonfante, deixou claro que a empresa deveria cancelar a ação e informar seus colaboradores sobre a ilegalidade de qualquer tipo de assédio eleitoral. O MPT estipulou um prazo para que a Tex Cotton comprovasse o cancelamento do evento, sob pena de enfrentar sanções legais.
A fábrica, que possui 40 anos de história, reafirmou seu compromisso com a liberdade de expressão e a diversidade de opiniões, garantindo que não aceitariam qualquer forma de constrangimento ou retaliação relacionada a posicionamentos políticos. No entanto, a situação destaca a importância de um ambiente de trabalho respeitoso, especialmente em tempos de polarização política.
Crédito da imagem: Empresa fica em Blumenau

